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A gastronomia na visão de um chefe de cozinha mergulhado diariamente no mundo dos sabores!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CHIBÉ

Faltando apenas dois dias para o meu pai completar 71 anos resolvi lembrar de uma comida da minha infância que ele sempre comia nas manhãs. O Chibé.

Meu pai é descendente de índios e nascido em Belém do Pará, mas deixou sua terra há muito tempo sem deixar suas raízes.

Às vezes me olho e fico pensando se sou filho do padeiro, será ??? minha mãe jura pela sogra dela mortinha que sou filho dele, na dúvida, fico com a máxima: Pai é  aquele quem cria, por isso tenho uma grande admiração pelo meu pai.
Minha mãe é danada mesmo... o pernanbucana retada...

Vocês acreditam que meu pai logo que acordava adorava comer carne seca com farofa? ou até mesmo pirarucu? pois é, esta era a dieta do meu pai.

Hoje ele está mais light, se bobear só anda tomando mingauzinho que a minha mãe prepara para ele. Mas este homem já foi danado e adorava comer comida no lugar do café da manhã.



Aí o pessoal não entende o porque gosto de comer um pão com ovo bem cedinho, ou até mesmo um sanduiche de carne assada... hummmmm, já estou com água na boca.... adoro ir pro nordeste, pois ainda se prática este costume de comer bem ao  levantar da cama para tomar café da manhã.


O mais engraçado disto tudo era o meu pai pedir água gelada para misturar na farofa depois de comer toda a carne seca.
- como assim??? farinha e água gelada??? 

Pois bem, pasmem, este é um costume da região norte e é conhecido com o nome de CHIBÉ
- Esquisito né ??? Esquisito para nós aqui do sul, pois eu experimentei e digo que adogooo!!!

Para alguns lugares é conhecido como Jacuba, gonguinha, sebereba, tiquara, mas para mim é apenas Chibé.  




Conta uma lenda - chamada da primeira água - que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela D'Alva), combinaram um dia visitar Ibiapité (Centro da Terra).



Numa madrugada deixaram Ibacapuranga (Céu Bonito) e desceram para a terra. Descansaram no enorme disco da Iupê-jaçanã (Vitória-Régia) e se puseram a caminho para o centro da terra. Quando as duas se preparavam para descer o Ibibira (abismo), Caninana Tyba mordeu a alva face de Jacy que, sentindo a dor, derramou copiosas lágrimas amargas sobre uma extensa plantação de mandioca.


Depois disso, a face de Jacy nunca mais foi a mesma pois as mordidas da caninana, marcaram-na para sempre. Das lágrimas de Jacy surgiu o tycupy (tucupi). O tucupi é ácido cianidrico.


Todavia, as nossas avoengas descobriram que poderiam vencer esse veneno deixando-o exposto ao sol por três ou quatro dias ou, então, depois de "descansado" (tempo em que a tapioca sedimenta-se no fundo do vasilhame) é fervido, restando o tucupi pronto para o consumo humano.


Dessa massa (a tapioca) e da pimenta murupi surgiu a primeira iguaria exótica, nascida da sapiência das nossas avós amerabas.Os autóctones desconheciam o sal. E o arubé, apesar de ardente, era o que dava um gosto às comidas ensossas, além do que a sua causticidade as tornava mais saborosas. De exotismo em exotismo, surgiu a Tiquara, que chegou até nós como o nome de Chibé.


A Tiquara, ou Chibé, nada mais é que a farinha de mandioca, com a água fresca dos igarapés, bebida em uma cuia pitinga. Houve na história do Pará um instante onde o humílimo chibé foi reconhecido como alimento.


Ia acesa a Revolução Paraense, infamantemente conhecida por Cabanagem. As tropas legais reclamavam por alimentos.
O marechal Manuel Jorge, irado com os protestos, perguntou aos reclamantes:
- E os sediciosos o que é que comem?
Os perguntados responderam:
- Chibé!...
- Então, comam-no também, respondeu o marechal mal humorado.





A grande Chefe Mara Salles proprietária do Restaurante Tordesilhas fez uma matéria super interessante a respeito do Chibé e fez uma degustação com o pessoal do ramo de gastronomia. O mais engraçado disto tudo é que ninguém em sã consciência pediria água e farinha, esta comida de subsistência indígena, num restaurante.

Mas Mara deu uma incrementada incrível, sem se perder nos sabores da terra. E prometeu colocar no menu do Tordesilhas sem demora. Com farinha ovinha* ácida e crocante mergulhada na água gelada, com temperos como pimenta-de-cheiro e coentro e servida como se vê, com uma mini cuia no lugar de colher.

*Ova e ovinha. Depende do tamanho das bolinhas. A mandioca amarela é deixada na água até amolecer, apodrecer, virar puba. É com esta mandioca espremida e passada em peneira que se faz a farinha d´água, que deve ser seca no tacho até os grãos ficarem bem secos. Em Manaus encontrei-as no Mercado assim, redondinhas, conhecidas como farinha de Uarini (o município onde são feitas – a maior parte delas, pelo que sei). Recebem apelido de ova ou ovinha pois depois de hidratadas se parecem mesmo com ovas de peixe.



Tradicionalmente o chibé vai passando na roda em recipiente grande com uma cuia coletiva boiando e cada um que está ao redor pega seu tanto, ou comido isoladamente, basta tirar com a cuia um pouco de água do rio e jogar aí um punhado de farinha.


A noite em que ela serviu o chibé estava quente e as pedrinhas de gelo no caldinho ácido e bem temperado transfornaram o simples chibé numa entrada refrescante e refinada, a cuia ainda veio apoiada numa cumbuquinha preta de cerâmica com mais gelo. Alguém resiste? Como disse Nina Horta, é o nosso gaspacho.

E a Mara deu a receita. Lá vai:


Chibé da Mara Salles
Ingredientes
1 pimenta fidalga ou murupi fresca
1 litro de água muito gelada
Sal (pouco porque a acidez da farinha e do limão potencializam o sal)
1 dente de alho micropicado
1 cebola média micropicada
2 colheres (sopa) de coentro micropicado (sem os talos)
2 colheres (sopa) de salsinha micropicada (sem os talos)
4 folhas de chicória-do-pará micropicada
Suco de 1 limão-cravo ou siciliano
10 colheres (sobremesa) de farinha d’agua (a ovinha é a melhor que já usei)


Modo de Preparo
Judie a pimenta fresca no fundo do recipiente onde será feito o chibé, numa baciazinha ou tigela adicione água gelada e também, se quiser, pedrinhas de gelo, adicone sal e todos os demais ingredientes, menos a farinha. Misture bem. Distribua pelas cuias a farinha d’água, 1 colher de sobremesa em cada uma. Distribua também entre elas o caldo gelado temperado. Deixe descansar por 10 minutos - não mais, para a farinha inchar sem perder totalmente a textura. Sirva imediatamente.


Rendimento: 10 cuias médias

CHIBÉ

Faltando apenas dois dias para o meu pai completar 71 anos resolvi lembrar de uma comida da minha infância que ele sempre comia nas manhãs. O Chibé.

Meu pai é descendente de índios e nascido em Belém do Pará, mas deixou sua terra há muito tempo sem deixar suas raízes.

Às vezes me olho e fico pensando se sou filho do padeiro, será ??? minha mãe jura pela sogra dela mortinha que sou filho dele, na dúvida, fico com a máxima: Pai é  aquele quem cria, por isso tenho uma grande admiração pelo meu pai.
Minha mãe é danada mesmo... o pernanbucana retada...

Vocês acreditam que meu pai logo que acordava adorava comer carne seca com farofa? ou até mesmo pirarucu? pois é, esta era a dieta do meu pai.

Hoje ele está mais light, se bobear só anda tomando mingauzinho que a minha mãe prepara para ele. Mas este homem já foi danado e adorava comer comida no lugar do café da manhã.



Aí o pessoal não entende o porque gosto de comer um pão com ovo bem cedinho, ou até mesmo um sanduiche de carne assada... hummmmm, já estou com água na boca.... adoro ir pro nordeste, pois ainda se prática este costume de comer bem ao  levantar da cama para tomar café da manhã.


O mais engraçado disto tudo era o meu pai pedir água gelada para misturar na farofa depois de comer toda a carne seca.
- como assim??? farinha e água gelada??? 

Pois bem, pasmem, este é um costume da região norte e é conhecido com o nome de CHIBÉ
- Esquisito né ??? Esquisito para nós aqui do sul, pois eu experimentei e digo que adogooo!!!

Para alguns lugares é conhecido como Jacuba, gonguinha, sebereba, tiquara, mas para mim é apenas Chibé.  




Conta uma lenda - chamada da primeira água - que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela D'Alva), combinaram um dia visitar Ibiapité (Centro da Terra).



Numa madrugada deixaram Ibacapuranga (Céu Bonito) e desceram para a terra. Descansaram no enorme disco da Iupê-jaçanã (Vitória-Régia) e se puseram a caminho para o centro da terra. Quando as duas se preparavam para descer o Ibibira (abismo), Caninana Tyba mordeu a alva face de Jacy que, sentindo a dor, derramou copiosas lágrimas amargas sobre uma extensa plantação de mandioca.


Depois disso, a face de Jacy nunca mais foi a mesma pois as mordidas da caninana, marcaram-na para sempre. Das lágrimas de Jacy surgiu o tycupy (tucupi). O tucupi é ácido cianidrico.


Todavia, as nossas avoengas descobriram que poderiam vencer esse veneno deixando-o exposto ao sol por três ou quatro dias ou, então, depois de "descansado" (tempo em que a tapioca sedimenta-se no fundo do vasilhame) é fervido, restando o tucupi pronto para o consumo humano.


Dessa massa (a tapioca) e da pimenta murupi surgiu a primeira iguaria exótica, nascida da sapiência das nossas avós amerabas.Os autóctones desconheciam o sal. E o arubé, apesar de ardente, era o que dava um gosto às comidas ensossas, além do que a sua causticidade as tornava mais saborosas. De exotismo em exotismo, surgiu a Tiquara, que chegou até nós como o nome de Chibé.


A Tiquara, ou Chibé, nada mais é que a farinha de mandioca, com a água fresca dos igarapés, bebida em uma cuia pitinga. Houve na história do Pará um instante onde o humílimo chibé foi reconhecido como alimento.


Ia acesa a Revolução Paraense, infamantemente conhecida por Cabanagem. As tropas legais reclamavam por alimentos.
O marechal Manuel Jorge, irado com os protestos, perguntou aos reclamantes:
- E os sediciosos o que é que comem?
Os perguntados responderam:
- Chibé!...
- Então, comam-no também, respondeu o marechal mal humorado.





A grande Chefe Mara Salles proprietária do Restaurante Tordesilhas fez uma matéria super interessante a respeito do Chibé e fez uma degustação com o pessoal do ramo de gastronomia. O mais engraçado disto tudo é que ninguém em sã consciência pediria água e farinha, esta comida de subsistência indígena, num restaurante.

Mas Mara deu uma incrementada incrível, sem se perder nos sabores da terra. E prometeu colocar no menu do Tordesilhas sem demora. Com farinha ovinha* ácida e crocante mergulhada na água gelada, com temperos como pimenta-de-cheiro e coentro e servida como se vê, com uma mini cuia no lugar de colher.

*Ova e ovinha. Depende do tamanho das bolinhas. A mandioca amarela é deixada na água até amolecer, apodrecer, virar puba. É com esta mandioca espremida e passada em peneira que se faz a farinha d´água, que deve ser seca no tacho até os grãos ficarem bem secos. Em Manaus encontrei-as no Mercado assim, redondinhas, conhecidas como farinha de Uarini (o município onde são feitas – a maior parte delas, pelo que sei). Recebem apelido de ova ou ovinha pois depois de hidratadas se parecem mesmo com ovas de peixe.



Tradicionalmente o chibé vai passando na roda em recipiente grande com uma cuia coletiva boiando e cada um que está ao redor pega seu tanto, ou comido isoladamente, basta tirar com a cuia um pouco de água do rio e jogar aí um punhado de farinha.


A noite em que ela serviu o chibé estava quente e as pedrinhas de gelo no caldinho ácido e bem temperado transfornaram o simples chibé numa entrada refrescante e refinada, a cuia ainda veio apoiada numa cumbuquinha preta de cerâmica com mais gelo. Alguém resiste? Como disse Nina Horta, é o nosso gaspacho.

E a Mara deu a receita. Lá vai:


Chibé da Mara Salles
Ingredientes
1 pimenta fidalga ou murupi fresca
1 litro de água muito gelada
Sal (pouco porque a acidez da farinha e do limão potencializam o sal)
1 dente de alho micropicado
1 cebola média micropicada
2 colheres (sopa) de coentro micropicado (sem os talos)
2 colheres (sopa) de salsinha micropicada (sem os talos)
4 folhas de chicória-do-pará micropicada
Suco de 1 limão-cravo ou siciliano
10 colheres (sobremesa) de farinha d’agua (a ovinha é a melhor que já usei)


Modo de Preparo
Judie a pimenta fresca no fundo do recipiente onde será feito o chibé, numa baciazinha ou tigela adicione água gelada e também, se quiser, pedrinhas de gelo, adicone sal e todos os demais ingredientes, menos a farinha. Misture bem. Distribua pelas cuias a farinha d’água, 1 colher de sobremesa em cada uma. Distribua também entre elas o caldo gelado temperado. Deixe descansar por 10 minutos - não mais, para a farinha inchar sem perder totalmente a textura. Sirva imediatamente.


Rendimento: 10 cuias médias

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O QUE QUE A BAIANA TEM

Esta imagem fala por si só, este é o meu estado de espírito e quero continuar assim por um  bom tempo.



Este final de semana fui a Salvador, o motivo desta viagem puramente gastronômica 
foi para visitar uma grande amiga e uma grande chefe, que reinaugurou seu restaurante em um outro ponto da Praia do Forte (e que lugar é este, o paraiso é lá).






Baiana, nascida no sertão, é bacharel em Ciências da Computação e Engenheira de Qualidade, após trabalhar 20 anos com telecomunicações, trocou a área de tecnologia pelas panelas, sua paixão desde a infância.

Autodidata, complementou sua formação na área de gastronomia na Escola das Artes Culinárias Laurente – São Paulo e diversos cursos no Atelier Gourmand. Desenvolve uma cozinha personalizada, privilegiando os ingredientes regionais e da estação, tendo como referencial os sabores e saberes da Bahia.
Tem mestrado em marketing e gestão pela Universidade Moderna de Lisboa e MBA em Gestão de
Bares e Restaurantes pela FTE – Salvador – BA.

Reestruturou o restaurante e o cerimonial do Yacht Clube da Bahia, o mais antigo restaurante
de Salvador, repaginando todas as áreas do mesmo: cardápio, estrutura de  cozinha e salão e área comercial. Implantou e operou o Café Bistrô, que funciona dentro do antiquário Nino Nogueira Décor, point de charme em Salvador.
Idealizadora, produz o Tempero no Forte, Festival Internacional de Cultura e Gastronomia da Praia do Forte que já aconteceu em 2006 e 2007, 2008, 2009 e o próximo acontecerá em novembro deste ano, é um evento do calendário no Litoral Norte.

Atualmente comanda a Tereza Paim Gastronomia, empresa de Catering desenvolvendo e operando grandes eventos no Brasil.


Terreiro Bahia este é o nome do seu conceituado restaurante. Não é a   primeira vez que vou a este mágico local, onde está abrigada a sede do projeto Tamar e o castelo de Garcia D'Avila, que é simplesmente lindo!

Sua cozinha regional brasileira tem um ambiente aconchegante lembrando os velhos quintais de casa.
A chefe privilegia os sabores e saberes da cozinha regional, pois visa os insumos brasileiros e os produtos cultivados na região.



É claro que eu me esbaldei e comi de tudo um pouco, e um pouco mais ainda, só de falar me dá água na boca, bobó de camarão, moqueca, escondidinho de carne do sol, pudim de siri mole ao molho lambão, filé de carne do sol com abóbora e macaxeira palha e pasmem sua maniçoba é o que há...... o que é aquilo.... é dos deuses....



 Antes dei uma passadinha por Salvador, para comer o Acarajé da Cira e passear pelo mercado de peixe que também foi reinaugurado.




Tereza é uma mulher de fibra, corajosa e com uma família linda de dar inveja branca. Não tem uma vez que vá pra lá e não sinta vontade de ficar de uma vez, porque com a acolhida carinhosa sempre me sinto realmente em casa, tamanho é o carinho e atenção que a mim são dispensados por todas essas pessoas maravilhosas.






Tenho orgulho de hoje poder fazer parte do rol de suas amizades e de sempre poder voltar.




                             OBRIGADO MEU DEUS!







RECEITA DE TEREZA PAIM


PEIXE BAIANO COM ARROZ E FAROFA DE BANANA


Ingredientes
Molho Baiano
100 ml de leite de coco
1 colher (sopa) de dendê
1 cebola pequena picada
1 tomate médio picado
2 rodelas de pimentão
coentro e cebolinha picada a gosto
1 colher (chá) de castanha moída
1 colher (chá) de amendoim moido
2 camarões secos defumados sem cabeça inteiro
Modo de preparo
Numa panela coloque todos os ingredientes até amolecerem, depois bate tudo no liquidificador e passe numa peneira de malha fina.
Para o peixe
1 filé de peixe com 200 g
sal e pimenta do reino branca moída na hora a gosto
1 colher (sopa) de cachaça
Modo de preparo
Numa frigideira, que possa ir ao forno, sele o peixe temperado com sal, pimenta do reino e cachaça, leve ao forno para terminar seu cozimento
Para o Arroz
Cozinhe o arroz branco conforme a proporção de 2 por 1 com alho e cebola e finalize com um fio de leite de coco

Para a farofa de banana, frite a banana cortada em rodelas em manteiga e um fio de dendê, em água morna misture a banana, cheiro verde e cebola picada. adicione a farinha até formar uma farofa de bolo.

MONTAGEM:
Monte em cubuca o arroz e desenforme no prato, mante em cubuca ou aro a farofa e coloque o peixe com o molho baiano e enfeite com uma pimenta dedo-de-moça aberta em flor.




O QUE QUE A BAIANA TEM

Esta imagem fala por si só, este é o meu estado de espírito e quero continuar assim por um  bom tempo.



Este final de semana fui a Salvador, o motivo desta viagem puramente gastronômica 
foi para visitar uma grande amiga e uma grande chefe, que reinaugurou seu restaurante em um outro ponto da Praia do Forte (e que lugar é este, o paraiso é lá).






Baiana, nascida no sertão, é bacharel em Ciências da Computação e Engenheira de Qualidade, após trabalhar 20 anos com telecomunicações, trocou a área de tecnologia pelas panelas, sua paixão desde a infância.

Autodidata, complementou sua formação na área de gastronomia na Escola das Artes Culinárias Laurente – São Paulo e diversos cursos no Atelier Gourmand. Desenvolve uma cozinha personalizada, privilegiando os ingredientes regionais e da estação, tendo como referencial os sabores e saberes da Bahia.
Tem mestrado em marketing e gestão pela Universidade Moderna de Lisboa e MBA em Gestão de
Bares e Restaurantes pela FTE – Salvador – BA.

Reestruturou o restaurante e o cerimonial do Yacht Clube da Bahia, o mais antigo restaurante
de Salvador, repaginando todas as áreas do mesmo: cardápio, estrutura de  cozinha e salão e área comercial. Implantou e operou o Café Bistrô, que funciona dentro do antiquário Nino Nogueira Décor, point de charme em Salvador.
Idealizadora, produz o Tempero no Forte, Festival Internacional de Cultura e Gastronomia da Praia do Forte que já aconteceu em 2006 e 2007, 2008, 2009 e o próximo acontecerá em novembro deste ano, é um evento do calendário no Litoral Norte.

Atualmente comanda a Tereza Paim Gastronomia, empresa de Catering desenvolvendo e operando grandes eventos no Brasil.


Terreiro Bahia este é o nome do seu conceituado restaurante. Não é a   primeira vez que vou a este mágico local, onde está abrigada a sede do projeto Tamar e o castelo de Garcia D'Avila, que é simplesmente lindo!

Sua cozinha regional brasileira tem um ambiente aconchegante lembrando os velhos quintais de casa.
A chefe privilegia os sabores e saberes da cozinha regional, pois visa os insumos brasileiros e os produtos cultivados na região.



É claro que eu me esbaldei e comi de tudo um pouco, e um pouco mais ainda, só de falar me dá água na boca, bobó de camarão, moqueca, escondidinho de carne do sol, pudim de siri mole ao molho lambão, filé de carne do sol com abóbora e macaxeira palha e pasmem sua maniçoba é o que há...... o que é aquilo.... é dos deuses....



 Antes dei uma passadinha por Salvador, para comer o Acarajé da Cira e passear pelo mercado de peixe que também foi reinaugurado.




Tereza é uma mulher de fibra, corajosa e com uma família linda de dar inveja branca. Não tem uma vez que vá pra lá e não sinta vontade de ficar de uma vez, porque com a acolhida carinhosa sempre me sinto realmente em casa, tamanho é o carinho e atenção que a mim são dispensados por todas essas pessoas maravilhosas.






Tenho orgulho de hoje poder fazer parte do rol de suas amizades e de sempre poder voltar.




                             OBRIGADO MEU DEUS!







RECEITA DE TEREZA PAIM


PEIXE BAIANO COM ARROZ E FAROFA DE BANANA


Ingredientes
Molho Baiano
100 ml de leite de coco
1 colher (sopa) de dendê
1 cebola pequena picada
1 tomate médio picado
2 rodelas de pimentão
coentro e cebolinha picada a gosto
1 colher (chá) de castanha moída
1 colher (chá) de amendoim moido
2 camarões secos defumados sem cabeça inteiro
Modo de preparo
Numa panela coloque todos os ingredientes até amolecerem, depois bate tudo no liquidificador e passe numa peneira de malha fina.
Para o peixe
1 filé de peixe com 200 g
sal e pimenta do reino branca moída na hora a gosto
1 colher (sopa) de cachaça
Modo de preparo
Numa frigideira, que possa ir ao forno, sele o peixe temperado com sal, pimenta do reino e cachaça, leve ao forno para terminar seu cozimento
Para o Arroz
Cozinhe o arroz branco conforme a proporção de 2 por 1 com alho e cebola e finalize com um fio de leite de coco

Para a farofa de banana, frite a banana cortada em rodelas em manteiga e um fio de dendê, em água morna misture a banana, cheiro verde e cebola picada. adicione a farinha até formar uma farofa de bolo.

MONTAGEM:
Monte em cubuca o arroz e desenforme no prato, mante em cubuca ou aro a farofa e coloque o peixe com o molho baiano e enfeite com uma pimenta dedo-de-moça aberta em flor.




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MANGIA QUE TE FA BENE..... uma volta pelo Lido em Copacabana

Como já disse antes, vida de um chefe de cozinha não é fácil.... principalmente a minha e um experimenta daqui, experimenta de lá...
Ufa! como é dificil..... até parece....


Num sábado destes, logo após aquela Maratona Gastronômica no Polo Lido  em Copacabana que eu não tinha concluído, fui visitar o restaurante Italiano La Trattoria...






...do Sr Mário Pautasso (meninas não se empolguem, ele já é um senhorzinho) uma figura  carismática e muito ativa, com uma vitalidade que impressiona até os mais jovens e uma conversa tão agradável que prende sua atenção a noite toda sem cansar.

Mas eu não estou aqui pra ficar elogiando ele, mas sim sua comida e sua casa. Afinal, pra quem veio de São Paulo é dificil encontrar típicas casas italianas aqui no Rio de Janeiro. Confesso que me transportei para o Bexiga, onde encontramos aquelas típicas cantinas italianas.

Casa movimentada, ohhhh!!! Fico muito feliz quando vejo um restaurante cheio, vibrante e com aromas que inebriam e envolvem todo o lugar.


O sucesso da casa se deve a toda família, na qual pai, mãe e os dois filhos se dividem na administração.





Como já dizia mamãe:"O olho do dono é que engorda o gado, não é mesmo!?"

- Será que é por isso que minha mulher tá gorrrda? (credo!!!!! a partir de agora vou olhar mais pra mulher dos outros)





Depois de um bom papo e toda sua história de vida contada, resolvemos pedir a comida, aí aí aí.... lá vou eu de novo experimentar do bom e do melhor... morram de inveja simples mortais....

hummm mas o que vem antes do prato principal????? hein hein ?????? acertoouuuu quem disse que seria uma entrada... mas no caso deste restaurante entrada é coisa do passado até por que seu Mário me contou o caso de um grupo da época em que seu restaurante vendia entradas, os infelizes ocuparam uma mesa, pediram a entrada e depois não conseguiram comer mais nada.






Mais pelo que vi os garçons servindo, é  uma fartura danada.Você já viu algum italiano que não seja farto???, pois é nem eu... ah! eu já vi simm!!! minha sogra ahhh!!! mais também, ela não é italiana e sim baiana... mão de vaca, pedi pra ela fazer as compras do mês para minha casa e ela nem tchum, como sofro...

Então tá, sem entradinha nos restou pedir um pão com alho que eles servem, que por Deus é divino, simples mais divino.

Gentemm, mas nesta casa não se bebe??? claro que sim! pedi um vinho tinto.... fiquei observando o garçon servir com todo aquele metiê, logo pra quem! Se eu beber álcool zulu tá tudo di bom...

ham ham! Eis que surge sua esposa, uma mulher esplenderosa,  cheia de atitude, só então descobri que ela estuda enologia. Até por que o Sr. Mário é só papo não entende nada de vinho, mas eu te pergunto pra que entender? a gente quer é beber e ser feliz, até por que eu vou pra comer e depois beber, não necessariamente nesta mesma ordem.

Bom!! depois de beber uma garrafa de vinho tinto e comer zilhões de pães de alho, me resta agora pedir o prato...

Olha cardápio, coça cabeça, respira fundo ... dificil , muito dificil... o cardápio todo parece ótimo... que faço?????? qual será minha escolha?

É melhor pedir sugestão: Seeeeeu Mário qual sua sugestão???

- Meu filho pede o SCALOPINNI AO FUNGHY TARTUFADO COM FETUCCINNE que você não vai se arrepender

Como diria um grande mestre: AI JESUIS......  e não me arrependi mesmo. 

Nossa me assustei com o tamanho do prato, ou melhor dizendo, com a quantidade que vem na frigideira.

Vem muita coisa mesmo, dei Graças a Deus, tava com uma fome...





Nossa estava divino, perfeito, saborosíssimo, precisei até de um babador e confesso que experimentei a massa do meu amigo que era com camarão tartufado .....

Foi de arrepiar... e olha que fiquei lá umas três horas e a casa não parava de rodar..... o dificil foi voltar pra meu amado lar, mas já estou pronto pra outra, quem vem comigo??????

Confiram mais um pouquinho da história do Sr. Mário.








E pra dizer que não estou mentindo veja como ficou o meu  prato aí ao lado